Operação Corrupião: ex-chefe de órgão federal foi condenado por corrupção
outubro 21, 2019
Uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) resultou na
condenação do ex-chefe do Ibama em Mossoró, Armênio Medeiros da Costa, por
corrupção passiva. Ele foi preso em fevereiro de 2018, dentro da chamada operação
Corrupião, e denunciado por receber propina de empresários e até mesmo de um
pescador, entre os anos de 2017 e 2018. Em troca, prometia “rasgar” multas por
crimes ambientais e livrar empresas de fiscalizações mais severas.
Armênio Medeiros foi sentenciado a oito anos de reclusão e
pagamento de multa, além da perda do cargo público, mas ainda poderá recorrer
em liberdade. De acordo com o MPF, as condutas do réu geraram não só prejuízos
ao meio ambiente, como também perdas financeiras ao Ibama, que deixou de
arrecadar multas, sem contar o dano à imagem da instituição junto à sociedade.
A ação penal é de autoria do procurador da República, Aécio Tarouco.
As investigações partiram de declarações do
ex-superintendente do Ibama no RN, Clécio Antônio Ferreira dos Santos, afastado
do cargo em setembro de 2017 pela operação Kodama. Ele afirmou que um dirigente
da federação dos pescadores do estado informou que Armênio havia solicitado R$
2 mil em propina a um pescador de Areia Branca para não aplicar uma suposta
multa ambiental de R$ 20 mil. A quantia foi repassada em quatro parcelas de R$
500.
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O pescador confirmou o pagamento da propina e relatou a insistência
de Armênio Medeiros em cobrar a quitação do acordo. A cobrança foi registrada
através de interceptação telefônica, autorizada pela justiça - na qual os dois
falam abertamente dos valores -, e o pagamento foi fotografado pela Polícia
Federal.
Em outro caso, uma empresária confirmou que Armênio Medeiros
compareceu à sede da sua empresa de ferragens na cidade de Tibau para uma
fiscalização e, quinze dias depois, retornou sozinho, sem fardamento e em
veículo próprio. Nesse segundo momento, solicitou R$ 1 mil (valor depois
reduzidos a R$ 400) para “orientar” a suposta defesa que a empresária teria de
fazer diante de uma nova vistoria do Ibama. Ele a intimidou afirmando que,
embora a documentação da empresa estivesse regular, os fiscais poderiam
inventar fatos para aplicar multas.
Já em janeiro de 2018, através de interceptação telefônica,
constatou-se que Armênio Medeiros pediu uma propina de R$ 500 a um empresário
do município de Acari, afirmando que a sua madeireira havia sido denunciada e
estaria para receber a fiscalização de um órgão ambiental. Ele se ofereceu para
fazer a vistoria sozinho, em veículo próprio, e recebeu o dinheiro a título de
“gastos com combustíveis”. Depois fez uma visita à empresa e foi embora.
O detalhe é que Armênio Medeiros se encontrava de férias e a
entrega da propina foi registrada pela Polícia Federal. Assim como nos demais
casos, não apresentou nenhum documento relativo à suposta vistoria. O juiz
federal Lauro Henrique Lobo, autor da sentença, acrecentou que “além disso, não
poderia o réu, como servidor público do Ibama, por conflitar com suas
atribuições legais, informar ao suposto infrator ambiental que ele estava na
iminência de sofrer uma fiscalização”.
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